A chamada “Hipótese das Avós” (Grandmother Hypothesis) propõe que a menopausa e a longevidade pós-reprodutiva surgiram como vantagens evolutivas, não como um defeito do corpo humano. Por isso talvez as mulheres vivam mais? A menopausa, nesse contexto, não é um sinal de declínio, mas uma estratégia adaptativa: ela libera energia reprodutiva para ser investida em cooperação, sabedoria e suporte social.
Essa é minha mãe, ela tem 71 anos, não sabe dirigir e dá em média 15 mil passos todos os dias, entre: academia, comprar sua comida, levar meu filho pra cima e pra baixo etc. Ela sabe e valoriza o fato de se sentir muito diferente das mulheres de sua idade, que em grande maioria, já estão com sobrepeso e uma série de problemas. Já acreditei que era genética, mas quanto mais estudo a história da atividade física vejo mais entendo que é cultura e comportamento. A saúde da minha mãe é o resultado de uma vida em movimento e, mais importante, PERTO DOS NETOS.
À luz da evolução, os avós sempre fizeram parte ativa da vida dos netos e isso não era apenas afeto, era também sobrevivência. Nas sociedades caçadoras-coletoras, os mais velhos ajudavam na coleta (principalmente tubérculos, com força de punho!), preparavam alimentos, cuidavam das crianças e transmitiam conhecimento. Essa rotina naturalmente os mantinha em movimento constante, algo que hoje chamaríamos de “atividade física diária”.
A ciência moderna confirma o que a evolução já sabia: o corpo humano foi moldado para envelhecer em movimento, não em repouso. Povos tradicionais ainda hoje caminham entre 10 e 15 mil passos por dia, em tarefas cotidianas, sem academia, sem contagem de calorias, sem obsessão por performance e corpo de bodybuilder. E o resultado é o mesmo que vejo na minha mãe: vitalidade, força, clareza mental e um senso de propósito que protege o corpo e o cérebro.
O que a cultura moderna fez foi desconectar os avós dos netos e o corpo do movimento. Chamamos de “normal” o sedentarismo e de “cansaço da idade” aquilo que, em verdade, é a resposta fisiológica de um corpo subutilizado.







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