Quando eu era criança minha melhor amiga Stéphanie viajava pra Disney todo ano, às vezes em dezembro e em julho. Da casa de onde eu morava era possível ver o elevador panorâmico do prédio dela, um dos poucos edifícios na cidade onde morávamos no interior, maioritariamente composta por casas. Sabendo o dia e mais ou menos o horário que ela saíria para o aeroporto em SP, eu ficava olhando pela janela e sonhando com o dia em que seria eu indo para Guarulhos. Devia ter uns 12 anos e esse dia demorou pra chegar, mais ainda para ir à Disney…
Viajei para o exterior pela primeira vez com 27 anos, para correr a “Semi de Paris” e apesar de teoricamente ter ido com um ex-namorado, nós terminamos poucos dias antes da viagem então apenas dividimos o quarto, no fim do dia. Foi uma 1a vez fora do Brasil e sozinha. Me virei, peguei kit, corri, fui à Versalhes e depois peguei um EasyJet para encontrar meu irmão, que já morava em Londres nesta época. Detalhe: não estava cheia de dinheiro, era tudo meio contadinho. Sem dúvida, essa foi uma situação que posso chamar daquelas “viradas” da vida, onde a gente cresce

A segunda vez que viajei foi com a Asics, em 2012, para correr a Maratona de NYC que não aconteceu, por causa do Furacão Sandy. Ganhei essa viagem como prêmio por ter sido a mulher mais rápida da imprensa nos 21k da Golden Four, no ano em que o circuito nasceu. Vocês não tem ideia da treta que acontecia nessa época. Eu era (e continuo sendo) blogueira. Esse blog aqui que vocês estão lendo nasceu como o primeiro blog de corrida para mulheres do Brasil, lá no Velho testamento da Internet e naquela época tinha uma briga dos jornalistas que diziam (talvez com razão?) que “blogueira não é jornalista / imprensa”. Mas eu fui mesmo assim, para Buenos Aires com a Mizuno também, pois ganhei os 21k deles no ano seguinte, como imprensa.

Como não teve a maratona, os próprios corredores, muitos de fora da América, organizaram uma prova dentro do Central Park e essa aí em cima sou eu, depois de correr ao lado destes Mexicanos queridos.
Em 2014, eu e minha amiga Gabi Manssur corremos o El Cruce e ela ia correr também a Maratona de Chicago, me chammando pra ir junto. Na época, já mãe solteira, meu salário no mkt do Iguatemi era de R$3.000,00 ou seja, impossível pagar qualquer viagem para a gringa. Então me ocorreu a ideia de vender um projeto para a Nike, o “Maratonista de Saia”, para incentivar mulheres nas longas distâncias. A vida é engraçada, né? Hoje estou aqui justamente “desincentivando” mulheres da minha idade nas longas distâncias rs. O importante é que a Nike comprou minha ideia e corri ali minha 1a maratona fora do Brasil. A 1a maratona da vida foi em 2013, no Rio (já corria há 6 anos, tá?)

Certinhas! Gabi e eu corremos os quase 100km em 3 dias, na Patagônia, em Fevereiro e em outubro os 42k da Maratona de Chicago. Das presepadas que fazia, emendar uma prova na outra….
Não fui sozinha, a Claudia Fontoura, na época PR da marca, foi comigo e cuidou de tudo para que minha experiência fosse incrível. E foi! Arrisco também a dizer que ali nascia esse negócio de marcas pagando para influenciador viajar. Como eu, a debs e mais umas poucas éramos as únicas desta época, vivemos coisas incríveis. Neste mesmo ano a Debs foi para a Indonésia com a Nike! Enfim, fui para Buenos Aires com a Mizuno, pra Chicago de novo com a Nike e para Paris com a Asics. Isso fora as viagens no Brasil, mas sempre acompanhada de alguém da marca cuidando de tudo.
Já as viagens que eu mesma banco junto do meu marido, quem cuida de quase tudo é ele. Acho que nunca na vida comprei uma passagem internacional. Meu marido compra as passagens, reserva os airbnb, compra ingressos (no caso da Disney, e que acabamos de pagar outro dia kkkkry), tira cartão de embarque no aeroporto…
Então, se parar para pensar, desde a primeira vez em Paris não viajo sozinha. Confesso que só parei para pensar nisso agora, faltando menos de 1 mês para embarcar para Israel, à convite do Ministério do Turismo. Tudo bem, não será uma viagem totalmente sozinha, pois teremos um grupo e um guia, assim como uma programação já montada. Mas pensar em chegar sozinha do outro lado do mundo, embora não chegue a me causar medo, me dá uma certa apreensão de fazer alguma merda (já cheguei em Guarulhos para embarcar para o Uruguay sem passaporte e tive que voltar.) Esse é meu primeiro receio.
O segundo é viver uma experiência tão única, e provavelmente única vez na vida também, sem ninguém que conheço e em inglês (com sorte, porque senão vai ser em Hebraico e não vou entender nada além do Shalom.) Acho que sei ser sozinha, inclusive preciso dos meus momentos sem ninguém, mas não tenho certeza se sei viver coisas extraordinárias sozinha, sem ninguém pra eu beliscar e falar “puta que pariu, olha isso!”
Apesar que terei minhas amigas internautas, acompanhando via redes sociais, dando dicas e curtindo comigo longe mas perto. Não sei vocês, mas eu AMO viajar com as pessoas que admiro e sigo!
Continua….







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