Hans Selye, o pai dos estudos sobre estresse, descreve no livro The Stress of Life, de 1952, como o estresse é uma resposta natural e essencial para a sobrevivência. Ele definiu o conceito da Síndrome Geral de Adaptação, que envolve três fases principais: alarme, resistência e exaustão. Esse ciclo reflete a forma como nosso corpo reage aos desafios do ambiente e deveria ser um processo autolimitado – mas, no mundo moderno, muitas pessoas acabam presas em uma das fases, levando ao estresse crônico e suas consequências para a saúde.
O Ciclo Natural da Resposta ao Estresse
- Fase de Alarme
Quando nos deparamos com uma ameaça ou desafio, o corpo ativa o sistema nervoso simpático e o eixo HPA (hipotálamo-hipófise-adrenal), liberando hormônios como adrenalina e cortisol. Essa resposta aumenta a frequência cardíaca, melhora a oxigenação dos músculos e nos deixa em estado de alerta – é o chamado modo de luta ou fuga. - Fase de Resistência
Se o estresse persiste, o corpo tenta se adaptar e manter a homeostase. O cortisol continua elevado para sustentar a resposta, mas, ao mesmo tempo, o organismo tenta equilibrar as funções fisiológicas. Nesta fase, o estresse pode ser benéfico, promovendo adaptação e resiliência. O problema surge quando a carga de estresse é contínua e sem pausas para recuperação. - Fase de Exaustão
Se o estresse persiste por tempo demais, sem recuperação adequada, o corpo perde sua capacidade de adaptação. O eixo HPA fica desregulado, levando a sintomas como fadiga, insônia, ansiedade, depressão, problemas digestivos e até doenças crônicas, como hipertensão e resistência à insulina.
O Problema do Estresse Crônico
O estresse é essencial para nossa sobrevivência e, em doses adequadas, pode até ser positivo, aumentando nossa capacidade de enfrentar desafios. No entanto, o problema da vida moderna não é a presença do estresse, mas sim a falta de recuperação.
Muitas pessoas ficam presas em um estado crônico de ativação da fase de resistência, nunca permitindo que o corpo retorne ao equilíbrio. Isso ocorre por diversos motivos: excesso de trabalho, preocupações constantes, estímulos digitais ininterruptos e falta de descanso adequado. Sem pausas para recuperação, o corpo entra em um ciclo de desgaste contínuo, que pode levar a doenças metabólicas, neurodegenerativas e cardiovasculares.
Como Quebrar o Ciclo do Estresse Crônico
Para restaurar o equilíbrio e evitar a exaustão, é essencial permitir que o corpo complete o ciclo natural do estresse. Algumas estratégias incluem:
- Sono de qualidade: essencial para regular o eixo HPA e reduzir os níveis de cortisol.
- Atividade física: promove uma descarga saudável do estresse e ajuda a regular o sistema nervoso.
- Momentos de descanso e lazer: fundamentais para sinalizar ao corpo que o perigo passou.
- Respiração e mindfulness: ajudam a ativar o sistema nervoso parassimpático, responsável pela recuperação.
- Nutrição adequada: evitar picos glicêmicos e consumir nutrientes que auxiliam na regulação do estresse, como magnésio e ômega-3.
O estresse em si não é o vilão – ele é uma ferramenta evolutiva que nos torna mais fortes e adaptáveis. O verdadeiro problema surge quando o ciclo de estresse se torna crônico, sem recuperação suficiente, transformando um mecanismo de sobrevivência em um fator de adoecimento.








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