Perrengue chique

Quando aceitei o convite da Asics para fazer parte do ASICS LUME CLUB, me coloquei à pensar que tipo de conteúdo gostaria de produzir durante esta jornada. Para isso, tive que fazer uma fragmentação do momento, como um todo:

  • 1ª maratona depois de 2 anos de pandemia;
  • Contrato com marca-desejo de corrida;
  • Paris (luxo, glamour e sedução);
  • Realidade do nosso país e do mundo;
  • Minha realidade (privilégios, dores etc)

Depois de entender o que tudo isso isoladamente significava, estudei maneiras de produzir um conteúdo humano, que nos aproximasse mesmo eu estando neste contexto (ou neste trabalho) cheio de privilégios. Meu maior medo é me descolar da realidade, perder a noção das coisas e ficar falando merda de dentro da bolha. Desde o início tomei cuidado para não focar somente na prova e na viagem em si, mas principalmente no que nos conecta.

Queria também que houvesse um equilíbrio entre vida editada e vida real, afinal de contas meu cliente não ficaria muito feliz se eu só postasse a realidade nua, crua e sem edição, certo? Correr em Paris, por diversos motivos, é algo que eu não faria se não fosse por este projeto. Grana, tempo para treinar, família etc…assim como a grande maioria de quem me lê e não vai correr fora tão cedo. Eu também não iria, se não fosse por este trabalho.

Penso muito sobre isso quando escrevo meus textos e faço as fotos, em estar vivendo uma coisa distante da realidade de muita gente, mas que de alguma maneira precisa aproximar e agregar. Deixei de seguir muita gente no Instagram porque o que eu via na edição de sua vida era algo muito distante da minha, para ser bem honesta essas coisas distantes não me inspiram em nada, elas só despertam em mim sentimentos naturais da humanidade como desejo e frustração por não poder viver o que a pessoa vive (a única “fora da realidade” que eu gosto de ver é a Chiara Ferragni).

Eu assumo isso sem problema nenhum! Trazendo para o mundo da corrida, eu sempre quis ser a pessoa cria pontes e acho que de alguma maneira até consegui. A maioria dos feedbacks que recebo das pessoas e marcas é que sou “verdadeira”, na verdade acho que quem não mostra a realidade não necessariamente é falso, mas optou por fazer uma edição maior. Eu diria que sou “crua”.

Estou num lugar de privilégio, porém não isento de dificuldades. Poderia seguir 2 caminhos: edição linda, para um feed perfeito sem textão só com foto maravilhosa OU edição “skin in the game” com textões e fotos nem sempre alto astral e agradáveis, que podem comprometer o engajamento mas entregar minhas verdades.

Desde o 1º dia optei pela edição “skin in the game” porque conheço minhas leitoras e sei o que nos aproxima: a verdade. Não fazer de PARIS o foco desta jornada foi meu exercício para conseguir criar textos que agregassem tanto na vida de quem vai para a Europa, quanto na de quem corre no bairro de casa. Temos muito mais em comum do que imaginamos!

Somos humanas forradas de sentimentos, expectativas, dificuldades, hormônios…por mais que tenhamos diferenças, por que não olhar para o que temos de igual?

1 comentário Adicione o seu

  1. Bruna do Nascimento Cavalari disse:

    Adoro seus textos e reflexões! Me conecto muito. Obrigada

    Curtir

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